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Casal da Coelheira

A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada Ribatejo, abrange a área de todas as suas sub-regiões: Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém e Tomar, desde 21 de Março do ano 2000. Antes dessa data, cada uma das sub-regiões correspondia a uma IPR independente.

O campo, o Bairro e a Charneca

Como dizia o Mestre Orlando Ribeiro "O que dá unidade ao Ribatejo é, além do rio, a depressão do relevo, sempre abaixo dos 200 metros, muito forte em relação às montanhas calcárias da Estremadura e ainda sensível no rebordo do maciço antigo da Beira ou do Alentejo". Apesar desta uniformidade topográfica, a sua paisagem é fortemente influenciada pela natureza e fertilidade dos solos, que permitem distinguir três zonas bem distintas: o Campo, também conhecido por Lezíria ou Borda-d’água, o Bairro e a Charneca. Em todas elas se cultiva a vinha, mas com resultados muito diferentes entre si. Nos aluviões do Campo, mesmo à beira-rio, a fertilidade é imensa.

Castas portuguesas generosas e castas internacionais de qualidade

A exemplo do que acontece em todas as regiões vitícolas do País, também no Ribatejo existe uma grande diversidade de castas, que permite aos viticultores defenderem-se, um pouco, da instabilidade e adversidade climáticas. Como dizia Ruy Fernandes, no já longínquo ano de 1532, "... as uvas de muitas castas, que se non vingaõ huas vingaõ outras..."

Nas castas brancas, Fernão Pires, Boal de Alicante ou Alicante Branco, Rabo-de-Ovelha, Tália, Trincadeira das Pratas e Arinto, entre outras, são as mais vulgares no Ribatejo, tendo todas uma característica em comum: são extremamente generosas a produzir.

Nas castas tintas domina, claramente, a Castelão Francês, embora seja significativa a presença da Trincadeira Preta, Castelão Nacional e Baga. Também estas castas são bastante produtivas, mas a principal característica delas, em especial das duas primeiras, é a sua grande adaptabilidade ao calor, luminosidade e falta de água, que as torna especialmente interessantes na Charneca e no Bairro.

No encepamento do Ribatejo existe, ainda, uma presença significativa de castas internacionais, que está muito relacionada com a reestruturação dos vinhedos ribatejanos, a partir dos anos oitenta, e se tem prolongado até à actualidade. As castas mais cultivadas são a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, nas brancas, e a Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e, mais recentemente a Syrah, que começa a ganhar as preferências de muitos viticultores, nas tintas. Esta estratégia vitícola, pioneira no País, teve como principal objectivo produzir vinhos com possibilidade de competir no mercado internacional. Por um lado, com boa qualidade e com um estilo que os consumidores já conheciam, por outro, com um preço altamente competitivo, graças ao potencial produtivo da região e à sua estrutura fundiária, que permite custos de produção muito baixos. Grandes quantidades para vários países, constituem a Por outro lado, os exemplos dos varietais de Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, e de Syrah, excederam todas as expectativas e elvaram os enófilos mais exigentes a olhar com muito entusiasmo para os novos vinhos ribatejanos.

O estilo dos vinhos

Os actuais vinhos brancos do Ribatejo têm um perfil moderno, onde o frutado e a acidez das uvas conferem frescura e elegância. A cor é, em regra, citrina e os aromas são dominados por notas e maçã amarela e frutos cítricos. Quando a casta dominante é a Fernão Pires, encontram-se, também, notas florais e moscateladas próprias da casta. São, por isso, vinhos fáceis de beber, refrescantes, normalmente ligeiros, embora por vezes com bastante álcool, e com pouco poder de envelhecimento. Mas nem sempre foi assim.

Nos últimos anos têm sido feitos enormes progressos, tanto nas tecnologias de vinificação e conservação, como no encepamento das vinhas. A introdução, por parte de alguns produtores, de castas internacionais para equilibrar as autóctones, como a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, e de barricas de carvalho novo para fermentação, veio mostrar que o Ribateo é uma grande região de vinhos brancos, com um enorme potencial ainda por explorar.

Os vinhos tintos do Ribatejo, que hoje se encontram no mercado, nada têm a ver com os do passado. As intervenções na vinha que se têm verificado recentemente, com a utilização de clones seleccionados e isentos de vírus, veio contribuir para uma melhoria significativa deste tipo de vinho que, em alguns casos, apresentam uma qualidade notável.

Mas os vinhos tintos mais surpreendentes, produzidos recentemente no Ribatejo, são os que têm por base as castas internacionais, principalmente Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot. Quer estremes, quer loteadas com as castas tradicionais da região, têm originado vinhos magníficos, de estilo moderno, sem defeitos de aroma, com notas envolventes de boa madeira, elegantes, ao melhor estilo internacional.

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