Portugal Vinho Regiões Estremadura
A cultura da vinha na Idade Média, a partir do séc. XII
desenvolveu-se consideravelmente, devendo-se este facto à acção
de diversas Ordens Religiosas, com particular destaque para
Alcobaça, onde os seguidores de S. Bernardo se instalaram no
mosteiro mandado erigir pela Ordem de Cister. O principal
objectivo na altura era a elaboração de vinho para celebração
das missas, tendo, desde então, os vinhos da Estremadura
alcançado grande consumo e prestigio, tornando-se num dos
produtos de maior peso na actividade económica da região.
Identificada como uma das maiores regiões vitivinícolas do pais
em termos de área de vinha e de produção de vinho, a
Estremadura abrange todos os concelhos da faixa atlantica a
Norte do estuário do Tejo, confinando a Norte com a Beira e a
Leste com o Ribatejo.
O relevo não é muito elevado, excepto a Sul, onde aparecem
alguns estratos, de basalto e de granito e a região assenta, na
sua quase totalidade, em formações secundárias de argilo-calcários e argilo-arenosos.
O clima é temperado, sem grandes amplitudes térmicas, com
uma queda pluviométrica anual que se situa entre os
600-700 mm.
Na zona Sul da Estremadura encontram-se as zonas viticolas
de três Denominações de Origem conhecidas pela sua tradição
e prestigio: são elas, caminhando de Leste para Oeste, Bucelas,
Carcavelos e Colares.
A uma distancia de 20 Km a Norte de Lisboa, no vale do rio
Trancão, encontra-se a região de "Bucelas" onde as vinhas se
instalam em solos que correspondem às tradicionais "caeiras",
predominantemente derivados de margas e calcários duros.
A casta que identifica as caracterlsticas organolépticas deste
famoso DOC branco é o Arinto.
A Oeste de Lisboa, muito próximo da foz do rio Tejo e com
uma área muito pequena, situa-se a zona de produção do DOC
"Carcavelos", encontrando-se os principais vinhedos entre a
ribeira de Caparide e das Marianas. Este extraordinário vinho
generoso é conhecido desde longa data, apresentando-se hoje
em dia como uma raridade.
Reclinada sobre duas colinas da serra de Sintra, situa-se a
pequena vila de Colares, cuja origem remonta a épocas
imemoráveis, dela falando crónicas e lendas. A região de
"Colares", pela sua natureza geológica, divide-se em duas
sub-zonas: "chão de areia" (região das dunas) e "chão rijo"
(solos calcários, pardos de margas ou afins). As características
únicas do vinho que se produz nesta região devem-se às castas,
ao solo e ao clima, sendo de realçar o facto de continuar a ser
mantida a tradição de "pé franco" sendo a vara "unhada" no
estrato de argila subjacente à camada de areia.
Na parte central da Estremadura encontramos as mais vastas
manchas de vinha desta região, instaladas nas encostas suaves
das colinas, onde para além do Vinho Regional Estremadura
foram reconhecidas pelas suas características de elevada
qualidade as Denominações de Origem" Alenquer", "Arruda",
"Torres Vedras" e "Óbidos".
Junto ao mar é de referir uma zona produtora de vinhos particularmente vocacionados para a produção de aguardentes de qualidade, e que mereceram o reconhecimento da
Denominação de Origem "Lourinhã".
Na parte mais a Norte da Estremadura distingue-se uma vasta
região de vinha que se estende desde as encostas das serras dos
Candeeiros e de Aires até ao mar. Nesta zona produzem-se os
VQPRD "Alcobaça" e "Encostas D'Aire", de características
distintas mas também muito apreciadas.
Merece também referência o Vinho Regional "Estremadura",
para os vinhos tintos, brancos e rosados produzidos em toda a
região, bem como o palhete de Ourém, designação recentemente
reconhecida para os vinhos tintos produzidos na região de
Ourém.
O Vinho Regional Estremadura que hoje atinge uma cota de
mercado muito significativa a nível nacional é também Indicação
Geográfica para o Vinho Licoroso produzido nesta região, que
de há longa data a tradição destacou.
Finalmente é também de referir o Vinho Leve, vinho regional
de características muito próprias que o tornam bastante
apreciado, em especial no tempo quente.
|