PortugalLíngua portuguesa

Língua oficial de Portugal, Brasil e de cinco países de colonização portuguesa: São Tomé e Príncipe. Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola. O português é a sexta língua mais falada no mundo, segundo dados de 1995 do Summer Institute of Linguistics da Universidade do Texas, EUA. Além dos 170 milhões de falantes nativos, 12 milhões de pessoas utilizam o português como segunda língua no mundo.

Do latim ao portugues

Derivada do latim vulgar (popular), desenvolve-se na Lusitânia (actual Portugal e região espanhola da Galícia) a partir do final do século III a.C. Nessa época o Império Romano conquista a região e institui o latim como língua oficial.

Com as invasões bárbaras, no século V, o latim começa a entrar em decadência. A partir do século VIII deixa de ser falado, quando os árabes dominam a península Ibérica e impõem sua língua. A expulsão dos árabes, no século XII, leva à criação do reino de Portugal. O latim volta, então a ser a língua predominante, embora já modificado pelas influências que recebeu dos povos bárbaros e do próprio árabe. Posteriormente, o idioma é reformulado e dá origem ao galaico-português. Um dos primeiros documentos escritos nessa língua data de 1198: uma poesia, conhecida Catinga da Ribeirinha, escrita pelo trovador Paio Soares de Taveirós. Aos poucos, o galaico-português vai sofrendo modificações e adquirindo, na região de Portugal, as características do português moderno.

Quando a dinastia Avis é fundada, em Portugal, em 1385, o português passa a ser a língua oficial. Com a expansão marítima portuguesa, entre os séculos XV e XVI, espalha-se por várias regiões da África , Ásia e América.

América

O Brasil é o único país de língua portuguesa na América, com cerca de 163 milhões de falantes no total (língua materna e segunda língua). O português falado no Brasil colonial sofre influência das línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus que se instalam no centro - sul. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no Nordeste e no Sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território.

Europa. O português é a lingua oficial de Portugal, falada aproximadamente por 10 milhões de habitantes (língua materna e segunda língua). Em 1986, o país integra-se à Comunidade Económica Europeia (CEE), e a língua portuguesa passa a ser adoptada como um dos idiomas oficiais da organização. Actualmente , mais de 1 milhão de cidadãos da União Europeia (antiga CEE) falam o português. Eles estão concentrados na França, Alemanha, Bélgica, Suécia e em Luxemburgo, sendo a França o país com mais falantes (750 mil).

Ásia. Entre os séculos XVI e XVIII , o português torna-se a língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Actualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o Português sobrevive na sua forma original, com 250 mil falantes no total. Entretanto , o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (território Português), Sri Lanka e Málaca (Malásia) fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do Português, mas adopta formas gramaticais diferentes.

África. O português é a língua de São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola, somando cerca de 7,5 milhões de falantes no total. Nesses países, o português oficial - usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais - convive com diversos dialectos crioulos. Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% dos habitantes falam a língua portuguesa. A maioria usa dialectos locais, como o forro e o moncó. Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialecto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialecto, a de Barlavento e a de Sotavento. Em Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialecto crioulo ou dialecto africanos e apenas 10% dela utiliza o português. Em Moçambique, somente 0,18% da população (30 mil pessoas) considera o português como língua oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria usa línguas locais, principalmente as do grupo banto. Em Angola, 60% dos moradores têm o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialectos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue.

Reforma ortográfica

Em 1990, os sete países de língua portuguesa assinam o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, um projecto para unificar a escrita das palavras em português. Actualmente , a língua não possui padrão ortográfico. Nos países africanos, por exemplo, existem palavras grafadas com "k", "w"e "y", letras não incorporadas pelo português falado em Portugal e no Brasil.

A unificação tem como objectivo a adopção da língua por organismos internacionais e sua universalização. Portugal é o primeiro país a ratificar o acordo, em 1991, seguido do Brasil, em 1995. Nem todos os países africanos o ratificam, e o acordo só entrará em vigor quando isso acontecer. O acordo, ao entrar em vigor, obrigará a reformulação dos materiais editados em língua portuguesa, principalmente livros didácticos, acarretando aumento de custo.

A reforma prevê a alteração de 1,6% do vocabulário de Portugal. No Brasil essa taxa é de 0,45%. Em Portugal desaparecem as letras mudas "c"e "p" das palavras em que são pronunciadas como acção e Egipto.

No Brasil e em Portugal caem os acentos agudos de paroxítonas que têm "ei" na sílaba tónica, por exemplo, assembléia. O acento diferencial deixa de existir em palavras homófonas (que têm o mesmo som, mas significados diferentes). É o que acontece com pára (do verbo parar) e para (preposição).Todas as palavras paroxítonas terminadas em "oo"perdem o circunflexo, como abençôo. O uso do trema é abolido. As palavras escritas e pronunciadas de maneira diferente, embora com o mesmo significado, continuam com dupla grafia, por exemplo, aspecto (no Brasil) e aspecto (em Portugal).

CPLP. Em 1996 é criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com sede em Lisboa, Portugal, reunindo os sete países que adoptam como língua oficial o português. Tem como objectivos preservar e expandir o idioma pelo mundo e promover a cooperação política, social, económica e cultural entre os países-membros.

0 Português Brasileiro

A. O Português Brasileiro e o Português Europeu contemporâneos: alguns aspectos da diferença

O Português Brasileiro descende do Europeu. No Brasil, tomou a sua forma na complexa interacção entre

  • a língua do colonizador (e, portanto, do poder e do prestígio),
  • as numerosas línguas indígenas brasileiras,
  • as também numerosas línguas africanas chegadas pelo tráfico negreiro (oficial entre 1549 e 1830, não oficial antes e depois desses limites),
  • e finalmente as línguas dos que emigraram para o Brasil da Europa e da Ásia, sobretudo a partir de meados do século XIX.

Dessa potencial Babel linguística, foi se definindo, ao longo de quinhentos anos - pouco tempo para a história de uma língua -o formato brasileiro contemporâneo da língua portuguesa.

Curiosamente, e sem pretensões de teorizar, articulamos claramente no Brasil as vogais não-acentuadas, mas enfraquecemos as consoantes finais, o inverso ocorrendo no Europeu.

B. Condicionamentos sócio-históricos na formação do Português Brasileiro

A realidade, porém, é que as divisões dialectais no Brasil são menos geográficas que sócio-culturais. As diferenças na maneira de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra" (1982: 79).

Essa heterogeneidade enraíza-se em condicionamentos de natureza sócio- histórica: multilinguística, ou contacto entre falantes de múltiplas línguas distintas; fatos da demografia histórica; mobilidade populacional dos escravos; escolarização no Brasil, no período colonial e pós-colonial.

B.1. O multilingüísmo no Brasil colonial e pós-colonial

Pode-se afirmar, com certa margem de segurança, que até meados do século XVIII o multilinguismo generalizado caracteriza o território brasileiro, até certo ponto travado pelas leis pombalinas de política linguística dos meados do século XVIII. O multilinguismo perdura: ainda hoje, apesar de a língua portuguesa ser a língua oficial maioritária no Brasil, persistem cerca de 180 línguas indígenas, com a média de 200 falantes por língua, faladas por 300.000 a 500.000 índios (estimativas de 2000), perfazendo 0,2 da população brasileira, que atinge hoje um total de 169.544.443 h, segundo os primeiros resultados do Censo 2000.

B.2. Sobre a escolarização no Brasil colonial e pós-colonial

Até a primeira metade do século XIX, a etnia branca, constituída por portugueses ou Luso-descendentes, perfez apenas 30% da população. Nos outros 70% estão, sobretudo, os africanos e afro -descendentes, já que os indígenas ou morreram por extermínio intencional ou por epidemias. Estes 70% adquiriram a língua da colonização, a língua alvo, numa situação chamada pelos especialistas de transmissão irregular ou de aquisição imperfeita, já que tinham história familiar de língua não portuguesa.

Considerando-se os factores sócio-históricos que aturaram das origens e por todo o período colonial e pós-colonial, pode-se entrever uma interpretação de como se originou e se formou o Português Brasileiro, constituído em contexto social de transmissão, maioritariamente, irregular, na oralidade, livre das peias normativizadoras da escolarização e, consequentemente, da escrita, o que resultou numa variante, em muitos aspectos, divergente da europeia. No seu interior, esse Português Brasileiro heterogéneo apresenta variantes socioletais com configurações profundamente modificadas, que se aproximam dos crioulos de base portuguesa e variantes que se aproximam do Português Europeu. No primeiro caso, opino que uma crioulização prévia, embora leve, possa ter ocorrido no passado e, no segundo, a deriva natural, apressada pela história social do Brasil, não deve ser desconsiderada. Enfim, não se pode tratar como um conjunto homogéneo, unitário, o Português Brasileiro, nem numa perspectiva sincrónica, nem numa perspectiva diacrónica.

O que é a língua portuguesa?

O PORTUGUÊS é a língua que os Portugueses, os brasileiros, muitos africanos e alguns asiáticos aprendem no berço, reconhecem como património nacional e utilizam como instrumento de comunicação, quer dentro da sua comunidade, quer no relacionamento com as outras comunidades luso falantes.

Esta língua não dispõe de um território contínuo (mas de vastos territórios separados, em vários continentes) e não é privativa de uma comunidade (mas é sentida como sua, por igual, em comunidades distanciadas). Por isso, apresenta grande diversidade interna, consoante as regiões e os grupos que a usam. Mas, também por isso, é uma das principais línguas internacionais do mundo.

É possível ter percepções diferentes quanto à unidade ou diversidade internas do português, conforme a perspectíva do observador.

Quem se concentrar na língua dos escritores e da escola, colherá uma sensação de unidade.

Quem comparar a língua falada de duas regiões (dialectos) ou grupos sociais (sociolectos) não escapará a uma sensação de diversidade, até mesmo de divisão.

Lusitânia

A exemplo do sentido que dou à palavra România no mundo neolatino, vou chamar Lusitânia ao espaço geolinguístico ocupado pela língua Portuguesa, no conjunto de sua unidade e variedades.

Esse será o espaço próprio da lusofonia: os seus usuários serão os luso falantes. Como "estágio actual da língua Portuguesa no mundo", considerarei a situação da Lusitânia após a Segunda Guerra Mundial.

Nessa perspectiva, vejo cinco faces na Lusitânia actual, que assim denominarei: Lusitânia Antiga, Lusitânia Nova, Lusitânia Novíssima, Lusitânia Perdida e Lusitânia Dispersa.

A Lusitânia Antiga compreende Portugal, Madeira e Açores.

A Lusitânia Nova é o Brasil.

A Lusitânia Novíssima abrange as cinco nações africanas constituídas em consequência do processo dito de "descolonização" e adoptaram o português como língua oficial: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Lusitânia Perdida são as regiões da Ásia ou da Oceânia onde já não há esperança de sobrevivência para a língua portuguesa.

Finalmente, Lusitânia Dispersa são as comunidades de fala portuguesa espalhadas pelo mundo não lusófono, em consequência do afluxo de correntes imigratórias.

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